quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Manual_12_Terceira Onda Brasil

A Terceira Onda do Rádio no Brasil


Para entender o que pode acontecer no Rádio Brasileiro com dados do que se acontece no País, vamos recordar o panorama de 1999. Todos os setores da Economia foram devorados na competição internacional. Bancos, Autopeças, Siderurgia, Agricultura de Exportação, Alta Tecnologia, Supermercados. Tudo passou para o controle do capital estrangeiro. Quem não fez isso, se fundiu ao inimigo, como fez a cervejaria Ambev (Antarctica + Brahma).

Ainda não se tem a idéia do que pode acontecer com o nosso mercado a partir da permissão para a abertura das empresas ao capital estrangeiro. Um indicativo é a rapidez com que a Hicks Muse se posicionou no mercado brasileiro: comprou o time do Corinthians e a maior empresa de Marketing Esportivo do Brasil, a Traffic e ainda explora a TV a cabo. E hoje dita as regras que outros times brasileiros procuram seguir.

Depois que o projeto da entrada de capital estrangeiro nas empresas de Comunicação for aprovado, vai acontecer uma revolução tão rápida quanto traumática. A mesma concentração de emissoras ocorrida nos Estados Unidos será perseguida aqui. Quem for dono de rádio será convidado a vendê-lo ou "empurrado" para uma associação ou fusão.

Para quem trabalha em rádio, as mudanças também serão grandes e é melhor que o profissional se acostuma com procedimentos consagrados em outras atividades econômicas: cumprimento rígido do orçamento, planejamento, controle, pesquisa, compromisso com metas e rentabilidade. Nos processos internos, significa a eliminação de postos de trabalho e a diminuição de tudo que não seja ligado a atividades de produção e venda.


Fonte: Marcelo Parada, com pesquisa em:
DITINGO, Vincent. The Remaking of Radio
CHANTLER, Paul & HARRIS, Sim. Radiojornalismo
Columbia Magazine -Journalism

Manual_11_Terceira Onda

A Terceira Onda do Rádio no Mundo


O Rádio Brasileiro vive a véspera de sua Terceira Onda. A primeira foi dos pioneiros dos anos 20 até a Segunda Guerra Mundial, quando o veículo se consolidou como popular. A segunda vai da Segunda Guerra até hoje, mesmo com o advento da televisão, que "pegou emprestado sem devolver" a linguagem do Rádio. E é dessa época a criação das emissoras tradicionais, dos prefixos mais importantes, construídos pelas famílias.

Agora estamos próximos da Terceira Onda. O início vai ser determinado pela aprovação, no Congresso Nacional, de uma lei que permite a entrada de capital estrangeiro nas empresas de Comunicação. O impacto não será apenas no ponto de vista do Marketing, que certamente, estará mais agressivo.

O impacto maior, certamente, estará na mudança do perfil dos donos das emissoras (players). A influência será decisiva nos processos de trabalho e nas relações de emprego. Para entendermos melhor essa Terceira Onda, é bom que a gente saiba o que ela causou nos Estados Unidos, há mais ou menos 20 anos.

Até o início da década de 80, as emissoras norte-americanas eram estáveis. As empresas conheciam o mercado em que atuavam e algumas delas promoviam algumas inovações no formato dos produtos e na comercialização. Mas tudo dentro de um esquema tradicional. As principais estações eram ligadas às grandes emissoras de TV (ABC, NBC, CBS) e nas rádios do interior, predominava a pulverização dos donos.

Em 1982, o Congresso norte-americano passou a desregulamentar o mercado, acabando com várias restrições que moldaram o veículo depois da Segunda Guerra. As mudanças na lei coincidiram com o momento em que os grupos empresariais de Comunicação estavam começando a investir na TV a cabo e nas tecnologias nascentes. Por causa da estrutura e do faturamento (bem menores do que os da TV), o Rádio ficou em segundo plano.

Com esse desinteresse, surgiram novos donos e novos negócios. Aquisições, fusões, compra e venda de ações; esse passou a ser o novo cenário do Rádio enquanto empresa. Nesse ambiente, surgiu um novo tripé, desprezado pelas empresas tradicionais: Engenharia Financeira, Tecnologia e Marketing Agressivo.

A principal alteração da lei foi o fim da restrição para a compra e venda de emissoras. Esse item seduziu, e muito o Mercado Financeiro. Para termos uma idéia, antes de 1982, se alguém tivesse comprado uma Rádio, só poderia vendê-la depois de cinco anos. Mas a flexibilidade da lei transformou o Rádio numa fonte de investimento como qualquer outra, uma commoditie atraente.

A partir daí, surgiram gigantes, como a Chancellor (dona de 450 emissoras) e a Infinity (ex-CBS, que tem cerca de 200 estações), que levaram ao mercado do Rádio a mesma lógica já conhecida nos demais setores da Economia. Reconhecidas pela capacidade de mostrar rentabilidade, as Rádios ainda movimentavam faturamentos mais modestos do que outros veículos de Comunicação, como os Jornais e as Emissoras de TV.

Com a economia de escala e o uso da Tecnologia, as emissoras passaram a baratear a operação em níveis desconhecidos. Com as técnicas agressivas do Marketing, conseguiram revitalizar e arejar o meio também no que se refere às opções de negócios para anunciantes.

Por volta de 1985, o Congresso norte-americano finalizou um debate envolvendo a FCC ("Comissão Federal de Comunicações" ), empresários do setor e a NAB (National Association of Broadcasters ou "Associação Nacional da Radiodifusão"). Os parlamentares estavam preocupados com as conseqüências da falta de restrições para a venda e compra de emissoras, temendo que empresários ou grupos tivessem várias emissoras num só lugar.

Por fim, os deputados e senadores americanos concluíram que o sistema radiofônico estava pronto para funcionar de acordo com as exigências do mercado. O resultado prático dessas mudanças pode ser melhor compreendido com os exemplos que vão ser mostrados a seguir:

* Na década de 1970, algumas rádios de grandes cidades foram vendidas por preços que variavam de US$ 5 milhões a US$ 7 milhões, equivalendo de R$ 18 milhões a R$ 25,2 milhões.

* Enquanto no final da década de 1980, algumas emissoras, dessas mesmas cidades, foram vendidas entre US$ 40 milhões a US$ 80 milhões, o equivalente entre R$ 144 milhões a R$ 288 milhões.

* O total de vendas das rádios nos Estados Unidos saltou de US$ 602 milhões (R$ 2,16 bilhões) em 1982, para US$ 2,56 bilhões (R$ 9,21 bilhões) em 1985.

* Esses valores foram para: US$ 3,45 bilhões em 1998 (R$ 12,42 bilhões), US$ 12,4 bilhões em 1996 (R$ 44,6 bilhões) e, de acordo com projeções, deve alcançar o patamar de US$ 23 bilhões em 2006 (R$ 82,8 bilhões). Esse é um registro de crescimento de 6,6% ao ano.

Fonte: Marcelo Parada, com pesquisa em:
DITINGO, Vincent. The Remaking of Radio
CHANTLER, Paul & HARRIS, Sim. Radiojornalismo
Columbia Magazine -Journalism

Manual_10_Rádio Hoje

O Rádio Brasileiro de hoje


São mais de 3 mil emissoras espalhadas por todo o País. Os formatos de programação e a estrutura de cada uma das emissoras são diferentes, devido a aspectos sócio-econômicos e culturais. Uma das diferenças está na segmentação das programações, devido às diferenças regionais.

No Norte e no Nordeste, a programação predominante se calca em cima dos ritmos populares (Boi-Bumbá, Brega, Reggae Maranhense, Frevos, Forrós e Axé-Music), em que a inflexão do sorriso e o carisma do comunicador devem estar presentes. Para comercializar esse tipo de programação, o Rádio pode explorar uma gama maior de anunciantes.

No Centro-Oeste, há uma mistura das raízes sertanejas com o pop, o rock e o dance. No Sul e no Sudeste temos o popular, o pop-rock, o sertanejo. Ainda no Sul, se tem os ritmos gauchescos, hispânicos (devido à vizinhança com Paraguai, Uruguai e Argentina) e europeus (devido à influência das colônias alemã e italiana).

Quanto mais uma emissora for popular, maior será a chance de se anunciar, pois é nessa faixa onde estão os maiores índices de audiência. Com o advento da web-radio, a tendência é que essas diferenças regionais sejam bastante diminuídas.

Fonte: Site Rádio Oficina (www.radioficina.com.br)

Manual_09_1950 e 2000

O Rádio, entre 1950 e 2000


Em 1950, surge a Televisão. O novo veículo é alicerçado pelos profissionais do Rádio. Ídolos se mudam para as telinhas e o veículo radiofônico precisou redimensionar a programação. O Jornalismo e as Transmissões Esportivas passaram a ser a mola-mestra do Rádio

Na década de 1960, o Rádio assume papel importante em vários acontecimentos, como a Inauguração de Brasília (1960); a renúncia de Jânio(25.08.1961); o bi Mundial, em 62; na queda de João Goulart, em 64, as rádios conclamavam o povo a resistir; festivais de música em 66 e a chegada do homem à Lua, em 69.

Os anos 70 e 80 marcam, respectivamente, a chegada e a consagração do Rádio FM. A década de 1990 destaca a transmissão via satélite e as rádios pela internet, sendo a Rádio Jornal a primeira emissora latino-americana a transmitir também pela web.



Fonte: TAVARES, Reynaldo. Histórias que o Rádio não contou
site Mídia Rádio.

Documento_História 2

Documento_História 1

Manual_08_Rádio Nacional

Rádio Nacional do Rio de Janeiro: um símbolo da Era de Ouro


Às 21h do dia 12 de setembro de 1936, um gongo soou três vezes e ao som de Luar do Sertão, o anúncio: "Alô, alô, Brasil! Aqui fala a Rádio Nacional do Rio de Janeiro"! Era o nascimento de uma potência, a PRE-8, adquirida por apenas 50 contos de réis da Rádio Phillips.

No dia 8 de março de 1940, através do Decreto-Lei 2.073, o Governo de Getúlio Vargas assumiu o controle da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. A partir de então, a programação passou por profundas transformações. Exemplo: os artistas da emissora, em vez de receberem cachês por apresentação, ganharam contratos assinados. Alguns deles, ainda, eram exclusivos da casa e só se apresentavam na concorrência com a devida autorização da Nacional.

Com a ajuda do Governo Federal e das verbas publicitárias, a Nacional chegou ao posto de maior emissora do País. Programas musicais, de auditório, humorísticos, radionovelas e jornalísticos invadiram os lares de milhares de brasileiros, devidamente conquistados pela magia sonora do Rádio.

Outras emissoras comerciais em todo o Brasil também faziam muito sucesso: Rádio Mayrink Veiga e Rádio Tupi (Rio de Janeiro), Rádio Record (São Paulo), Rádio Gaúcha (Porto Alegre), Rádio Tabajara (João Pessoa), Rádio Difusora (Maceió). Em Pernambuco, os ouvintes se dividiam entre as rádios Clube, Tamandaré e Jornal do Commercio.

Nos musicais, a Rádio Nacional consagrou cantores como Francisco Alves ("O Rei da Voz"), Orlando Silva ("O Cantor das Multidões"), Cauby Peixoto ("O Rei do Rádio"), Carmélia Alves ("A Rainha do Baião"), Ademilde Fonseca ("A Rainha do Chorinho"), Emilinha Borba ("A Favorita da Marinha"). Esta última, durante anos, disputou com Marlene, Dalva de Oliveira e Ângela Maria a glória de ser coroada Rainha do Rádio.



Programas de auditório, como os de Paulo Gracindo e César de Alencar, lotavam os estúdios da emissora (localizados no último andar de um prédio da Praça Mauá, no Rio de Janeiro) e lançaram a figura das "macacas de auditório", que integravam a platéia da Rádio Nacional.

Com o sucesso, as filas para assistir os programas ficaram tão grandes, que a entrada, antes gratuita, passou a ser paga. Entre os programas humorísticos, os de maior sucesso nacional foram:

- PRK-30 = Comédias que satirizavam a programação da Rádio Nacional
- Jararaca & Ratinho = Dupla caipira que cantava fatos e destaques da Política
- Balança, mas não Cai = Tinha grande elenco de atores e cantores e o
destaque "primo pobre e primo rico"

As radionovelas também encantaram os ouvintes da Nacional. A primeira foi Em Busca da Felicidade, que ficou no ar por quase dois anos, entre junho de 1941 e maio de 1943. A escritora Janete Clair, que décadas mais tarde ficaria famosa com as telenovelas da Rede Globo, começou sua carreira na Rádio Nacional.

As novelas exigiram melhorias no desenvolvimento de uma técnica muito importante para o rádio: a Sonoplastia (imitação artificial de um som real). O sonoplasta Edmo do Vale, por exemplo, montou na garagem de sua casa uma oficina repleta de objetos capazes de imitar ruídos de tempestades, cascos de cavalo, incêndios. A sonoplastia ajudava o ouvinte a imaginar cada cena da novela, criando climas de romance, terror e suspense.

Fonte: FERRARRETTO, Luiz Artur. Rádio: Veículo, História e Técnica
Site Mídia Rádio
TAVARES, Reynaldo. Histórias que o Rádio não contou.